Inspiração - A gente indica, Como eu me sinto
Theo, o menino das estrelas

Esse livro nasceu de uma carta.
Uma carta escrita por Kamila, olhando para as estrelas, logo após a partida de seu filho, Theo.
A carta não era para ser publicada. Mas foi lida em voz alta no velório como um gesto de amor, despedida e de liberação para Theo seguir tranquilo seu caminho.
Depois, a mensagem foi transformada em um livro lindo que conta a história de Theo, o menino das estrelas.
Escrito por Kamila Signorelli e ilustrado por Renata Barreto, amiga de infância e artista visual, o livro é delicado e potente. As páginas em aquarela trazem leveza e alegria para a história de Theo e para a mensagem que atravessa o livro: a de que a existência e o amor transcendem galáxias.

Theo partiu de forma súbita, com 1 ano e 8 meses, e esse tempo de vida foi suficiente para despertar, em todos que o conheceram, um amor maior que o universo e a vontade de se encantar com as pequenas e belas coisas do mundo.
Essa é a mensagem que Kamila busca transmitir com o livro: a de que a relação com quem partiu da Terra continua existindo e de que é possível sorrir e se encantar com a vida, mesmo vivendo a dor do luto.
Um livro que indicamos para todos que estão vivendo o luto e também para falar sobre isso com as crianças, com verdade e leveza. Venda disponível nas principais plataformas de e-commerce (Amazon, Mercado Livre e Estante Virtual)
Na entrevista abaixo, Kamila conta um pouco mais sobre o livro e seu processo de criação.
Como surgiu a vontade de escrever um livro sobre o Theo?
Esse livro não foi uma ideia minha, ele estava escrito nas estrelas. 🙂 As coisas foram acontecendo de uma maneira muito natural até chegar a real concepção dele. Acho que tudo começou no dia da passagem do Theo. Nós ficamos sabendo no período da tarde e o velório só poderia ser no dia seguinte, depois de passar pela autópsia durante a madrugada. Nesse dia, eu não consegui dormir e passei toda noite na varanda da minha casa observando as estrelas (privilégios do interior), quando senti muito forte a presença do meu filho e com tanta coisa se passando na minha cabeça, decidi escrever uma carta de despedida pra ele. Não tinha intenção de compartilhar com mais ninguém, mas quando o velório começou, percebi que havia uma energia forte de indignação e pensei que não queria que isso afetasse o seu espírito de alguma forma. Então, eu resolvi ler a carta em voz alta, uma mensagem que o liberava para ir, para seguir sua natureza. Algum tempo depois, uma grande amiga que é escritora e participou do velório e ouviu a carta do Theo, me deu um presente: ela transformou aquela carta em uma história infantil sensível e muito delicada, o que me trouxe a inspiração para elaborarmos toda a experiência de uma forma lúdica.
Essa foi a cartinha lida:
Nosso filho querido,
A gente sempre disse que estávamos criando um filho pro mundo, não pra nós mesmos. Mas agora eu entendi que estávamos errados: o seu lugar é além desse mundo. Seu lugar é nas estrelas que você tanto amava, as “brilhas”. A “bia”, a “bia”.⭐️
Quero te agradecer por cada minuto que tivemos juntos aqui na Terra. Você foi e sempre amado por todos que estão aqui. Obrigada por ter nos escolhido: eu como sua “mamàin” e “papaiêeee” como seu papai.
Todo mundo que te conhecia entendia rapidinho o como você era especial. Sua alma era muito grande e intensa, difícil de caber num corpo tão pequenino. Grande assim como sua completa admiração e fascinação pela lua, pelo pôr do sol, pelas estrelas que brilham no céu, os animais (os bois, os auaus, os miaus, as cocós dos nossos vizinhos queridos) e as inúmeras flores que você colhia pra nos dar. Você nos ensinou a contemplar a beleza e a simplicidade da vida.
Você foi e sempre será a nossa grande estrela, a nossa “bia”, nossa estrelinha cadente que nos ensinou um amor que transcende galáxias. Obrigada por nos apresentar o maior sentimento do mundo.
Voa, voa nossa estrelinha, pra onde te fizer mais feliz! 💫
Como chegou na história Theo, o menino das estrelas?
O Theo tinha um grande fascínio pela natureza e as estrelas eram realmente o “auge” do seu encantamento, ele as chamava de “bias” (querendo dizer “brilhas”). Ele conseguia enxergar estrelas em muitos lugares e sempre chamava nossa atenção para isso. Nós também costumávamos ler o livrinho preferido dele juntos, que na verdade, era o mapinha astral dele e cada posição no mapa era contada através da história de uma estrelinha do céu que caiu na Terra. Li esse mapa muitas e muitas vezes com ele. No dia de velório dele, uma pessoa que é médium e estava lá nos disse também que visualizou muitas estrelinhas ao lado dele (mesmo sem saber do seu encanto). E junto com tudo isso, veio o presente da Babi, minha amiga que ,com sua sensibilidade, me inspirou a contar a história por essa perspectiva do Theo, como um menino estelar.
Qual foi sua maior motivação para escrever o livro?
A motivação aconteceu bem em um período que eu andava triste, estava realmente muito difícil lidar com a saudade, a sensação de vazio e ausência. Foi quando fomos à uma sessão espírita de cartas psicografadas, eu e minha família recebemos uma carta do Theo em que ele me pediu “Mamãe, não deixe a dor e a saudade te afastar das nossas ideias tão boas.” A gente sempre criou coisas juntos e eu sabia que ele estava falando sobre a necessidade de construir algo que desse um novo significado à nossa dor. Neste momento, algo mudou em mim e eu senti que precisava materializar algo nosso. Me senti animada para honrar o pedido dele.
Como foi o processo? Como escrever o livro ajudou no luto?
Eu acredito que a expressão criativa é uma grande ferramenta para lidar com a dor, seja na escrita, na pintura, no artesanato, qualquer coisa que alivie nosso coração por alguns instantes. Mas a escrita em si e a “lapidação das palavras” é algo que faz parte da minha rotina de trabalho, do meu dia a dia mesmo. Alguns dias depois da passagem do Theo, eu comecei a escrever uma espécie de diário, onde depositava meus pensamentos e angústias. Com isso, eu assimilava melhor o que havia acontecido, um jeito de extravasar que eu uso até hoje. O livrinho me ajudou se tornando uma materialização muito delicada, que me deu um novo gás para seguir em frente.
Quais são as mensagens que você gostaria de passar para quem ler esse livro?
Acredito que a principal mensagem do livro seja do Theo, não minha. Ele se comunicou com nossa família através de cartas, em sessões de psicografias. A mensagem mais importante é o entendimento de que a morte existe na Terra, mas a vida do espírito é eterna e continua existindo de outra maneira. Por isso, ainda podemos amá-los na intensidade que a nossa alma pedir e até nos comunicar com eles. Eu converso muito com o espírito do Theo e isso alivia demais o meu coração.
Uma segunda mensagem muito importante que o Theo nos trouxe, ainda em vida, foi o encantamento pelas coisas simples e belas que existem no mundo. A natureza era sua grande inspiração: as estrelas, os bichinhos, as plantas, os insetos, o tão amado por do sol que ele pedia para contemplar todos os dias.
As aquarelas são lindíssimas, de onde veio a ideia de fazer um livro ilustrado dessa forma?
A Renata, ilustradora, é uma amiga que conheço desde a infância. Ela ficou muito tocada quando soube o que aconteceu com o Theo e entrou em contato comigo oferecendo apoio e acabamos marcando sessões de aquarela-terapêutica. Ela foi uma pessoa muito importante durante o meu processo inicial, nossas sessões eram reconfortantes e aos poucos tudo se encaixou. Eu senti que o livro deveria conter aquele tipo de traço, de um trabalho manual, essencialmente. Até porque tudo isso também fez parte do meu processo. Ela tem os traços leves, sua arte transmite alegria e leveza e era assim que eu gostaria que a história do Theo fosse contada.
Como você se sente com o livro já publicado e sendo lido por outras mães, crianças, etc.?
Apesar do livro ter sido lançado recentemente, já recebi alguns feedbacks muito especiais sobre como o livro aborda com verdade o momento da dor sem esconder o jogo das crianças e ao mesmo tempo como também faz repensar um outro lado que muitas vezes nos é veladamente imposto pela sociedade: quem vive um luto, não pode sorrir. O livro traz essa perspectiva de que ao sorrir, não estamos esquecendo de quem amamos, estamos nos lembrando. Além disso, eu também ouço de famílias que não necessariamente passaram por um luto, que as mensagens do livrinho as fizeram repensar algumas coisas na rotina, reavaliar o tempo que passam com os filhos, enfim, viver mais no presente e se encantar com ele. Hoje eu me sinto mais feliz e leve quando penso nesses sentimentos gerados. É como se o meu luto fosse se colorindo, assim como as aquarelas do livro.
